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Exportação deve recuar 7% no ano




O sinal de alerta para os exportadores brasileiras foi ligado e as projeções para 2012 não são nada animadoras, apesar de o governo esperar que as vendas externas do país atinjam, no mínimo, o mesmo volume registrado no ano passado, de US$ 256 bilhões. Pelas contas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), os embarques serão 7,6% menores, um dado desalentador para uma economia que almeja crescer pelo menos 4% anuais. “A única certeza para este ano é de queda nas exportações, principalmente porque os preços das commodities estão caindo”, afirmou o presidente em exercício da entidade, José Augusto de Castro. “A situação tende a ficar mais crítica se a crise na Europa piorar”, completou. Segundo o economista, o principal item de exportação, o minério de ferro, já registrou baixa de 20% no preço médio. “No ano passado, a tonelada era negociada a US$ 126. Hoje, está saindo por US$ 100″, disse. Já a soja, segundo principal produto da pauta de vendas, vem sendo vendida a US$ 430 a tonelada, ou seja, 13,13% a menos do que a média de US$ 495 registrada em 2010. “Os dados da balança de janeiro mostram que a crise europeia está afetando o comércio brasileiro. Os embarques para aquela região caíram 25%”, acrescentou. Na avaliação do presidente da AEB, o resultado das exportações em janeiro só não foram piores graças à cotação das commodities, que ainda apontaram elevação de 1,3% nos preços. Mesmo assim, o deficit na balança do mês, de US$ 1,3 bilhão, foi o maior desde 1973, quando o Ministério do Desenvolvimento iniciou a série histórica. “A nossa expectativa é de exportações de US$ 236,6 bilhões neste ano e saldo comercial de US$ 3 bilhões contra os US$ 29,8 bilhões de 2010″, frisou. No Ministério do Desenvolvimento, a opção é pelo silêncio. Não há qualquer projeção para as exportações deste ano. Esse comportamento, no entender de Castro, reforça a preocupação com o comércio exterior. “As recentes medidas protecionistas adotadas pelo governo, como a revisão do acordo automotivo com o México, são um sinal claro de que ninguém está tranquilo”, comentou. Ontem, uma missão técnica mexicana passou o dia em negociações com representantes brasileiros para tentar salvar o acordo automotivo entre os dois países. Os carros produzidos no país latino podem perder benefícios tributários e serem sobretaxados. Ou seja, devem pagar mais 30 pontos percentuais de Imposto sobre IPI. Diante da intensa migração de investimentos para o Brasil, segurar os preços do dólar tem sido missão complicada para o Banco Central. Ontem, após mais uma intervenção no mercado, a instituição conseguiu apenas diminuir a velocidade de derretimento da divisa, que fechou em queda de 0,37%, a R$ 1,718. Para garantir o preço da moeda norte-americana acima de R$ 1,70 (valor definido extraoficialmente pelo governo como piso), o BC precisa enxugar o forte fluxo de recursos para o país: em janeiro foram US$ 7,2 bilhões e apenas nos três primeiros dias úteis de fevereiro US$ 3,7 bilhões. (Fonte: Correio Braziliense)

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