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Delegação brasileira vai à China tratar de comércio e investimentos




Uma delegação do governo brasileiro estará hoje em Pequim para discutir comércio e investimentos, coincidindo com o menor avanço nas trocas bilaterais em cinco anos, registradas no primeiro trimestre deste ano. Segundo uma fonte do governo, a delegação brasileira quer, na prática, pedir para os chineses “segurarem” um pouco o ritmo de suas exportações para o mercado brasileiro. E no centro da pauta está a exportação de confecções e produtos têxteis chineses, que causa preocupação no setor no Brasil. No entanto, pouco antes de partir de Doha, no Catar, com destino a Pequim, ontem à noite, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alessandro Teixeira, reagiu com visível desconforto ao ser indagado sobre a negociação com os chineses, da qual participará juntamente com o subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Valdemar Carneiro Leão. Primeiro, ele disse que haverá negociação “se tiver espaço”. Depois, que iria falar das importações chinesas de produtos brasileiros. E, enfim, afirmou que a discussão é sobre comércio em geral e que não discutiria especificamente sobre o setor têxtil. Recentemente, em debate em São Paulo, o embaixador brasileiro em Pequim, Clodoaldo Hugueney, deixou claro que se a negociação com Pequim não funcionar no comércio, “você tem que ter a possibilidade de adotar restrições para evitar esse tipo de crescimento [das importações]”. Segundo ele, “você não pode correr o risco de falar ‘deixa correr’. Essa fase de deixar correr já passou”. Mas ontem Teixeira negou que o Brasil queira agora negociar um acordo de restrição voluntária de exportações chinesas de têxteis, o que evitaria que Brasília aplicasse a salvaguarda pedida pelo setor. Lembrado de que o Brasil já fez esse tipo de acordo com os chineses em 2006, ele retrucou: “E isso funcionou? Não funcionou”. Em Doha, Teixeira preferiu se concentrar em “vender mais” para a China. Uma das reuniões será com o órgão central de importação de cereais. O Brasil quer discutir redução de barreiras para exportar mais alguns cereais. Quanto a minério de ferro, notou que a baixa da demanda é global. O Brasil já aplica várias sobretaxas antidumping contra produtos chineses. O país também vem sendo acusado por parceiros desenvolvidos de que estaria no caminho da Argentina com mais proteção de seu mercado. A Câmara de Comércio Internacional, que representa milhares de empresas, aponta o Brasil como o mais protecionista no G-20, grupo das maiores nações. De seu lado, os chineses parecem concentrados em atacar o protecionismo dos outros para continuar vendendo, ainda mais quando os mercados desenvolvidos estao deprimidos. O vice-ministro chinês de Comércio, Yu Jianhua, sentado ao lado de Teixeira em sessão sobre comércio na conferência ministerial da Unctad, fez uma forte defesa do fluxo de comércio e investimentos e praticamente sugeriu lições para os outros países em desenvolvimento nessas áreas. Na área de investimentos, disse que Pequim investiu US$ 60 bilhões no exterior em 2011 e o plano é de continuar expandindo essas operações. (Fonte: Valor Econômico)

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