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Inovação se faz em chão de fábrica
Ao falar de inovação, o que vem à cabeça geralmente é a novidade absoluta, revolucionária, como a invenção do computador ou do telefone celular. Essa é a invenção radical, uma quebra de paradigma tecnológico que beneficia o mundo como um todo.
Mas para o desenvolvimento de um País é muito mais importante a invenção incremental, ou inovação, fruto da atividade paciente e exaustiva de melhorar aquilo que já existe. É disso que se tratam quando, para queimar etapas e competirmos adequadamente no mercado, descartamos a possibilidade de "reinventar a roda" e partimos para criar variações inovadas de produtos existentes.
É essa inovação modesta que está em jogo também quando, para se equipar com uma tecnologia cara ou indisponível, uma indústria pratica a chamada "engenharia reversa", desmontando equipamentos para reconstruí-los criativamente, com materiais e ferramentas mais acessíveis. Essa tem sido a ferramenta estratégica que tem alavancado tantas economias emergentes como as da Coréia, Taiwan, China e, mais recentemente, Índia. Para não falar de uma economia hoje já muito rica, a do Japão, que assim se construiu.
A Coréia, por exemplo, que em poucas décadas se tornou rica, faz mais de sete mil patentes por ano nos EUA e nenhum produto novo. Tudo invenção incremental. O economista russo Altshuller mostrou que, mesmo nos países líderes em tecnologia, menos de 1% das patentes corresponde a invenções radicais, apoiadas em descobertas científicas.
A invenção incremental se faz em chão de fábrica, a partir do trabalho sobre o que já existe, poupando tempo e recursos escassos. Surge para resolver problemas práticos, como baratear ou acelerar um processo industrial, produzir com maior eficiência ou rentabilidade, adaptar um produto a novas necessidades e desejos do consumidor. Em resumo, competir mais e melhor nos mercados interno e externo e acumular um aprendizado essencial para alcançar a plena competência tecnológica. Eis o grande segredo do desenvolvimento.
A cópia inovadora, no atual sistema patentário internacional, pode e deve ser convertida em ativo empresarial, sob forma de patentes dependentes ou modelos de utilidade. É fundamental não confundi-la com a pirataria e a falsificação, que se situam não no campo das patentes, mas no das marcas e do direito autoral, e que consistem basicamente em reproduções mecânicas ou eletrônicas não autorizadas.
Também o desenvolvimento de inovações em tecnologias sociais, que respondem às necessidades da empresa de atender a suas responsabilidades sociais perante seu corpo de colaboradores e da comunidade do seu entorno, é um processo contínuo de agregação de melhorias incrementais criativas cuja acumulação tem o poder de elevar a produtividade e, conseqüentemente, a competitividade nos mercados.
E no papel fundamental de dar suporte técnico-tecnológico e de construir parcerias no desenvolvimento de inovações tanto tecnológicas quanto sociais na empresa estão o Senai e o Sesi. O Edital Senai-Sesi de Inovação 2010 cumpre essa função única no cenário atual da indústria brasileira e, ao longo do tempo, tem o poder de transformar o País.
Roberto Nicolsky, diretor geral da PROTEC
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